Bem Aqui Assim

julho 15, 2008

Filed under: Sem-categoria — alnneves @ 7:15 pm

Cresci numa rua super tranqüila, todo mundo se conhecia. Uma noite a vizinha ia tomar um café ou jogar conversa fora, outra ia beliscar uma sobremesa, aos domingos os almoços onde cada um levava um prato. A criançada fazia bagunça, os adultos davam risada uns dos outros. Era bom. Sempre achei que, um dia, quando eu tivesse minha casa, teria vizinhos legais pra compartilhar uma guloseima do almoço, trocar receitas ou uma xícara de farinha de trigo. Pessoas legais com quem deixar as chaves de casa quando viajar ou convidar para assistir a novela das oito. Era assim que funcionava quando eu era criança. Era assim que os vizinhos se tratavam na minha rua, no prédio da minha madrinha, no bairro da minha tia, em todo lugar. A relação de vizinho era de amizade. Uma família que a família da gente acolhia.

Isso mudou? Onde eu estava quando todos os vizinhos se reuniram e decidiram não mais fazer troca de receitas, de pedaços de bolo e de convites para comer um cuscuz com ovo? Porque agora eu tenho casa e vizinhos que não me olham no olho. Pessoas com quem cruzo todos os dias no estacionamento, nos elevadores, no roll do prédio, e simplesmente não sei o nome. Pessoas que emitem um grunhido qualquer quando digo bom dia ou até logo. Isso, quando respondem. Me sinto muito frustrada com essa falta de vontade que as pessoas têm de fazer amizade. Não conheço ninguém do prédio mais do que de vista. Mas sou observadora e acho um saco me referir a pessoas por números [a mulher do 304, o senhor do 702…], acabo inventando um nome pra todo mundo. A Professora é minha vizinha de estacionamento. O Sr. Naftalina, vizinho de baixo, é marido da Dona Boneca. A Dona Mostrafundo se mudou do prédio que nem vi. O Sr. Banana mora no segunda andar e a Dona Simpa devia ser mais gentil com os condôminos. Nem eu escapo: Arrupiadinha do quinhentos e dois. Er… melhor não entrar em detalhes.

Hoje soube que vão ocupar o último apartamento vago no meu andar. Estou na torcida para que sejam pessoas legais e dispostas a fazer uma boa amizade de vizinhos. Enquanto isso, continuo na rotina da cordialidade de elevador. Eles não sabem o que estão perdendo.

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One Response to “”

  1. Ivo Solano Says:

    Faz 14 anos que eu moro na minha casa atual (desde 1994) e eu não sei o nome do meu vizinho. Só sei que o sobrenome é Xerez. Seu xerez. O filho dele eu vejo todo dia aqui na rua, no CEUT e em festas. Nem imagino qual seja o nome dele.

    Não eu eu me importe. Eu sou o exemplo maior de antisocialidade na rua.

    Não falo com quem eu não conheço.
    Não gosto de quem eu não conheço.

    Acho que por isso eu gosto muito dos amigos. Porque o resto não importa.

    E até hoje espero o convite pro jantar.


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