Sinto falta de declarações de amor. Daquelas que não são feitas com mil rosas, faixas pintadas pelas ruas ou poemas pichados em muros. Sinto falta das declarações ao pé do ouvido, de um abraço mais apertado, de um beijo repentino. Sinto falta das declarações de amor feitas ao acordar, das ditas antes de dormir, das que chegam via mensagem de celular, das que são entendidas só de olhar, daquelas feitas com força num canto qualquer. Sinto falta de declarações de amor.
27 anos, uma família legal, uma cadela desaparecida, duas pimenteiras, um apartamento pra botar em ordem e uma carteira de motorista que agora uso sem medo. Sou louca por chocolate. Tenho amigos que estão sempre por perto. Publicitária. Menos criativa do que deveria. Menos rica do que gostaria. Não sei correr, nadar nem tocar um instrumento. Tenho uma irmã que mora longe. Tenho saudade. Tenho muita saudade. Gosto das pequenas coisas da vida. Gosto de escrever, tenho a letra miúda. Gosto de ler, tenho tentado fazer isso com mais freqüência. Talvez eu devesse fazer mais essas coisas. E tento! Tento derrubar as interrogações da minha cabeça. Tento não perder a vontade de levantar todo dia. Tento ter certeza de que amanhã vai ser bem melhor que hoje. Tento. Às vezes acho que preciso de óculos. Sempre acho que devo emagrecer. Tenho passarinhos de pano, um papel de parede estampado de bambus e uma parede inteirinha pra pintar de azul e pendurar um mural cheio de fotos. Acredito em reencarnação e no amor. E eu amo. Adoro ficar descalça. Enjoo quando viajo. Sou pernambucana de nascença, piauiense de coração e alagoana de férias. Nunca vi um show de Alceu Valença. Nunca tomei café e nem tenho as orelhas furadas. Tem sido difícil achar um rumo, uma ideia perfeita, uma solução instantânea, um caminho pra Terra do Nunca.