Bem Aqui Assim

setembro 15, 2010

Arquivado em: Sem-categoria — alnneves @ 2:08 am

E depois de um tempão sem postar nada, apareço por aqui para publicar um texto que nem meu é. Nina Lemos, que eu adoro, escreveu um texto que na hora que bati o olho pensei logo “eu bem que poderia ter escrito isso!”. Divido com quem ainda andar por aqui.

Os momentos Peggy Sue

Não é preciso ter um ataque cardíaco em uma festa de reencontro da escola (tem gente que vai mesmo nesse tipo de coisa?) para viver um momento de Peggy Sue, seu passado a espera. O filme. Francis Ford Coppola.

Você está ali, vivendo a sua vida meio mais ou menos quando algo vem como um filme bem colorido: o que teria acontecido com a sua vida se… Bem, a lista de “ses” é infinita, mas em geral está ligada a amores do passado. “Será que eu devia ter ficado com ele?”  “Será que a minha vida seria melhor se a gente não tivesse terminado?”. “Será que eu fiz uma grande burrada e agora vou pagar para sempre?” Você vê em flashes o que a sua vida poderia ter sido se você não. Bem, a lista de “nãos” é tão grande quanto a de “ses”. E nessa hora você não chega a ter um ataque cardíaco, mas um ataque de pânico é bem provável.

Estamos todos sujeitos a muitos momentos Peggy Sue nessa vida. Eles são inevitáveis. E eles passam. Mas a vertigem às vezes dura uns dias. Enquanto isso, um coro canta: “Peggy Sue, Peggy Sue”. E você tenta olhar para a sua vida e ter certeza (como se essa palavra fizesse algum sentido) de que você fez tudo certo. Ou não.

(Nina Lemos)

 

julho 1, 2010

Arquivado em: Sem-categoria — alnneves @ 7:33 pm

Epílogo

Não, o melhor é não falares, não explicares coisa alguma. Tudo agora está suspenso. Nada agüenta mais nada. E sabe Deus o que é que desencadeia as catástrofes, o que é que derruba um castelo de cartas? Não se sabe… Umas vezes passa uma avalanche e não morre uma mosca. Outras vezes senta uma mosca e desaba uma cidade. [Mário Quintana]

 

junho 20, 2010

Arquivado em: Sem-categoria — alnneves @ 7:22 pm

A Ju deu a deixa

1-      Andar descalça

2-      Textura de sorvete

3-      Cheiro de jasmim

4-      Abraço apertado

5-      Roupa nova

6-      Deitar em piscininha de maré baixa

7-      Quarto frio, lençol quentinho

8-      Dirigir

9-      Dirigir cantando

10-   Tomar banho no final da tarde

11-   Rock’n’roll

12-   Filmes de amor

13-   Declarações de amor

14-   Chocolate

15-   Cafuné

16-   Sorriso do André

17-   Jambo

18-   Internet

19-   Conversa besta na calçada

20-   Esquecer do tempo na beira do mar

21-   Imagem e ação

22-   Rádio de madrugada

23-   Carta escrita a mão

24-   Email longo de amigos queridos [ou de amor]

25-   Cheiro de cachorro novo

26-   Brigadeiro

27-   Dormir de costela

28-   Macarrão com manjericão

29-   Piada

30-   Lua cheia na beira do mar

31-   Piscina em dia de sol e céu azul

32-   Conversar com meu pai

33-   Ganhar beijo da minha mãe

34-   Abraçar a minha irmã

35-   Dizer “e aí?” pro meu irmão

36-   Cheiro de carro novo

37-   Música boa no fone de ouvido

38-   Falar sacanagem com as amigas

39-   Coca-cola com gelo

40-   Beijo no pescoço

41-   Papel de parede

42-   Teresina

43-   Maceió

44-   Meia luz

45-   Céu estrelado

46-   Beijo na boca

47-   Churrasco, farofa e vinagrete

48-   Fazer retrato

49-   Passear de mãos dadas

50-   Água gelada

51-   Roupa com cheirinho de amaciante

52-   Fazer uma lista de cinquenta e duas coisas preferidas e descobrir que minhas coisas preferidas não cabem numa lista só.

 

abril 26, 2010

Arquivado em: Sem-categoria — alnneves @ 7:39 pm

nesses dias tão estranhos, fica a poeira se escondendo pelos cantos

 

março 8, 2010

Arquivado em: Sem-categoria — alnneves @ 3:14 pm

Sinto falta de declarações de amor. Daquelas que não são feitas com mil rosas, faixas pintadas pelas ruas ou poemas pichados em muros. Sinto falta das declarações ao pé do ouvido, de um abraço mais apertado, de um beijo repentino. Sinto falta das declarações de amor feitas ao acordar, das ditas antes de dormir, das que chegam via mensagem de celular, das que são entendidas só de olhar, daquelas feitas com força num canto qualquer. Sinto falta de declarações de amor.

 

novembro 16, 2009

Arquivado em: Sem-categoria — alnneves @ 2:51 pm

Tem dias que o coração bate na garganta. E coração batendo na garganta é problema nem sempre simples de resolver. Acho que sair correndo, ou andando sem destino, ajuda a acalmar a pulsação e dar espaço pra cabeça funcionar melhor. Deve ser o oxigênio que entra mais fácil. Hoje amanheceu bem nublado. Até uma chuva tímida caiu. Pela janela, vi um dia propicio para cuidar de corações que batem na garganta. Não curar. Mas acalmar um pouco, dizer “fica aí, amigo, que com calma as coisas se ajeitam”. “Será?”, ele vai duvidar. Corações que batem na garganta não são muito confiantes ás vezes. Talvez, um passo na frente do outro, sob o céu cinza de um dia de quase final de ano, saibam acertar o ritmo que desacelera o coração, e o faz descer da goela para seu lugar certo, o peito. E lá, esperar quietinho as coisas se acalmarem.

 

novembro 13, 2009

Arquivado em: Sem-categoria — alnneves @ 12:59 pm

No trabalho. Sempre escrevo ouvindo uma musiquinha. Hoje botei uma playlist sem seqüência lógica pra tocar no modo aleatório. É verdade que hoje não acordei num dia bom [aliás, acordar em dias ruins parace que anda virando rotina] e quando a gente acordar assim tudo parece bater de maneira diferente. Quando, em fim, estava conseguindo me concentrar no trampo, eis que o Alceu Valença começa “um girassol nos teus cabelos/ batom vermelho, girassol”. Parei tudo. Sem sentir, parei tudo e fui transportada para vinte e tantos anos no passado. No tempo que os dias tinham cheiro de flor e terra molhada, o sol coloria a vida de uma forma diferente. As férias em Recife, na casa da minha tia. Família reunida, conversas e risadas altas, música tocando o dia todo, gente entrando e saindo, crianças correndo, imaginação a mil. A geladeira velha, esquecida no quintal, virava o nosso carro, o quartinho dos fundos era o nosso castelo. A sombra da mangueira, o pipoqueiro que passava todo fim de tarde e eu, que nem sabia o quando seria difícil crescer, que não imaginava que pessoas acordassem em dias ruins. Ouvindo a voz do Alceu, lembrei como ele cantava alto naqueles dias tão felizes. Tão alto, que ecoa na minha memória até hoje e consegue, sem saber, me arrancar o primeiro [e talvez o único] sorriso do dia. Na cabeça, passam como um filme em câmera lenta, as cores e movimentos daquele tempo. Lembro como acordar era bom. E já acordava correndo, rindo, sem esperar o fim do dia. Me senti de verdade lá. E sei que estava sim. A música acabou antes que eu conseguisse descobrir um meio de ficar lá pra sempre. Lá onde acordar era uma alegria. Caí sentada numa cadeira que não me cabe, na frente de alguns pepinos pra resolver e mais um dia não muito bom para vencer. De volta ao trabalho.

 

 
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