Tem dias que o coração bate na garganta. E coração batendo na garganta é problema nem sempre simples de resolver. Acho que sair correndo, ou andando sem destino, ajuda a acalmar a pulsação e dar espaço pra cabeça funcionar melhor. Deve ser o oxigênio que entra mais fácil. Hoje amanheceu bem nublado. Até uma chuva tímida caiu. Pela janela, vi um dia propicio para cuidar de corações que batem na garganta. Não curar. Mas acalmar um pouco, dizer “fica aí, amigo, que com calma as coisas se ajeitam”. “Será?”, ele vai duvidar. Corações que batem na garganta não são muito confiantes ás vezes. Talvez, um passo na frente do outro, sob o céu cinza de um dia de quase final de ano, saibam acertar o ritmo que desacelera o coração, e o faz descer da goela para seu lugar certo, o peito. E lá, esperar quietinho as coisas se acalmarem.
No trabalho. Sempre escrevo ouvindo uma musiquinha. Hoje botei uma playlist sem seqüência lógica pra tocar no modo aleatório. É verdade que hoje não acordei num dia bom [aliás, acordar em dias ruins parace que anda virando rotina] e quando a gente acordar assim tudo parece bater de maneira diferente. Quando, em fim, estava conseguindo me concentrar no trampo, eis que o Alceu Valença começa “um girassol nos teus cabelos/ batom vermelho, girassol”. Parei tudo. Sem sentir, parei tudo e fui transportada para vinte e tantos anos no passado. No tempo que os dias tinham cheiro de flor e terra molhada, o sol coloria a vida de uma forma diferente. As férias em Recife, na casa da minha tia. Família reunida, conversas e risadas altas, música tocando o dia todo, gente entrando e saindo, crianças correndo, imaginação a mil. A geladeira velha, esquecida no quintal, virava o nosso carro, o quartinho dos fundos era o nosso castelo. A sombra da mangueira, o pipoqueiro que passava todo fim de tarde e eu, que nem sabia o quando seria difícil crescer, que não imaginava que pessoas acordassem em dias ruins. Ouvindo a voz do Alceu, lembrei como ele cantava alto naqueles dias tão felizes. Tão alto, que ecoa na minha memória até hoje e consegue, sem saber, me arrancar o primeiro [e talvez o único] sorriso do dia. Na cabeça, passam como um filme em câmera lenta, as cores e movimentos daquele tempo. Lembro como acordar era bom. E já acordava correndo, rindo, sem esperar o fim do dia. Me senti de verdade lá. E sei que estava sim. A música acabou antes que eu conseguisse descobrir um meio de ficar lá pra sempre. Lá onde acordar era uma alegria. Caí sentada numa cadeira que não me cabe, na frente de alguns pepinos pra resolver e mais um dia não muito bom para vencer. De volta ao trabalho.
Hoje é dia do vizinho. Moro no prédio de quatorze andares e cinquenta e seis apartamentos. Imagina aí quantos vizinhos devo ter. Um bocado, né? Não conheço mais do que caiba nos dedos da mão, ainda assim, só de bom dia e boa noite no elevador. Esses, que cabem nos dedos da mão, são os simpáticos. Os outros falam uma língua que não entendo. Uma espécie de grunhido. Entram no elevador e dizem: hrng. Prefiro entender que significa oi ou bom dia, sei lá. Hoje é dia do vizinho e eu queria muito bater na porta de alguém e convidar pra assistir a novela das oito comendo um bolo feito na hora. Quer ser meu vizinho?
Sr. Marido sempre me deixa muito orgulhosa. Sábado passado foi divulgado o resultado do 34º Prêmio Colunistas Norte e Nordeste, e num é que ele levou prata na categoria rádio?!
A campanha premiada foi uma sequência de spots para uma clínica especializada em ouvido, nariz e garganta. A agencia é a S/A Propaganda, o texto é da Luri Almeida e a composição do jingle, a gravação, direção e mixagem são do André Melo [Jardim Elétrico Som].
Hoje fiquei desesperada quando a moça da lavanderia disse que só poderia me entregar as roupas limpas daqui uma semana. Pensei logo em como é que vou trabalhar a semana inteira? Aí me deparo com a Sheena, uma moça está fazendo o The Uniform Project, onde ela que resolveu passar um ano inteirinho usando a mesma peça de roupa em favor da moda sustentável. E pra quem achar que é impossível ficar na moda usando a mesma peça por 365 dias seguidos, é só dar uma olhada no que ela faz misturando acessórios e criatividade. Vale até usar as costas pra frente. Mais tarde, quando chegar em casa, vou ver se consigo fazer uma mágica dessas no meu closet também.


Hoje queria contar várias coisas ridículas sobre mim. Sonhos idiotas, pensamentos bobos, umas coisas que me fazem acordar rindo. Mas são tão bobas e tão minhas, que vão continuar assim, bobas e minhas. Só minhas. Porque eu posso rir de mim sempre. Eu. Acho que hoje vai ser um dia especial. Acordei rindo de um desses sonhos idiotas. Na verdade, nem lembro dos detalhes. Mas, quem se importa quando o importante é acordar rindo? Se isso não for realmente importante, pelo menos dá o barato de achar que o dia vai ser bom. Foi nesse barato que levantei da cama, antes que a preguiça de todas as manhãs me fizesse chegar, mais uma vez, atrasada ao trabalho. Abri a janela e descobri que estava nas nuvens! De verdade, literalmente, sem trocadinhos, não é força de expressão, metáfora, mentirinha, faz de conta. Inexplicavelmente, o inverno que as previsões do tempo dos jornais mostram todos os dias no restante do país nessa época do ano, bateu por aqui também. Há dias chove sem parar, faz um friozinho bom, incomum ao mês de julho em Teresina. E hoje o dia amanheceu assim, com nuvens baixas, entrando pela janela do quinto andar. Pela minha janela. Eu, admiradora das coisas do céu, acordei nas nuvens, rindo de um sonho bobo. Só posso acreditar mesmo que o dia vai ser bom.

Hoje é dia do amigo. Hoje se comemora 40 anos que o homem chegou na Lua. Hoje eu descobri que o dia do amigo e o homem na Lua são uma coisa só. Não é legal? Foi assim: um argentino chamado Enrique Ernesto achou tão massa o homem chegar à lua que foi logo dizendo que era uma boa oportunidade para se fazer amizade em outras partes do universo. Veja só que maravilha pensar com mais encanto na possibilidade de se relacionar bem com o desconhecido do que nos avanços da ciência. Num mundo tão louco [e olha que aquele tempo não era muito mais tranqüilo que os dias de hoje] sentir-se empolgado com a chance de fazer novas amizades. Acho impressionante a capacidade que as pequenas coisas tem de mudar a vida da gente. Parece bobagem, né? Mas foi essa descoberta boba bem aí que mudou o meu dia. Vou ali abraçar uns amigos.
Tem dias que simplesmente não dá, né? Tipo hoje: sábado, sol brilhando lá fora, céu azul como a piscina que eu queria agora, vento de assanhar o cabelo e um monte de coisas que eu poderia fazer se não tiver que bater ponto no trabalho. Ok. Não se pode ter tudo. E, num dia desses, onde não há mais nada a fazer além de esperar o relógio marcar meio dia, o jeito é inventar janelas onde não existem janelas. Ou seja, catar coisinha bonitinha na rede [já disse, não se pode ter tudo]. Coisa linda de se ver esse clipe do Skank. Bom pra hoje.


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